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Réstias do Tempo BEYOND

Esconder quem somos sugere sempre contas por ajustar com o passado.

Réstias do Tempo BEYOND

Esconder quem somos sugere sempre contas por ajustar com o passado.

PRINCÍPIOS E EDUCAÇÃO

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PRINCÍPIOS E EDUCAÇÃO

Quando a classe dirigente de um país precisa de apertar as normas para que os seus próprios pares se comportem com a honestidade de um bom cidadão, por onde andará a educação e os princípios como espelho de uma nação?

E os partidos políticos? E as eleições? Para que servem os partidos políticos? Servem para escrutinar os melhores dos melhores para dirigir o povo que lhe põe a comida na mesa e lhes paga a escolaridade dos filhos, ou é para “governar” com percentagens, por quotas, com familiares ou correligionários?
Aniceto Carvalho

O CAVALO DE TROIA

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O CAVALO DE TROIA
Tenho estado a ver o filme "TROIA". A segunda ou terceira vez.

Este filme, "TROIA", com o Leonardo Dicaprio, como o anterior "Helena de Troia" de 1956, embora baseado em poemas do Homero, tem por trás um bom bocado de História da Antiguidade Clássica que vale a pena conhecer.   

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Troia

Mas quantas pessoas farão ideia de onde fica esta antiga cidade estado, porquê ali localizada, e a razão da sua destruição uma data de vezes?

Aniceto Carvalho

A GUERRA DO INTERPRISE

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A GUERRA DO INTERPRISE
No Canal História a guerra do porta-aviões Interprise.
Toda a gente sabe como o americano, retrata no cinema o seu antigo inimigo.

Miseravelmente, abaixo de cão. Goste-se ou não, é assim mesmo que se faz para que um povo honre os que lutaram pelo seu país. Nós por cá, com todas as reconhecidas razões históricas para andar de cabeça bem levantada, temos gente a pedir desculpa a quem devia lamber o chão onde os portugueses põem os pés.
Aniceto Carvalho

O INDUSTRIAL DE COUCHEL

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O INDUSTRIAL DE COUCHEL

Homem do norte, sem que se saiba porquê, criou uma fábrica nos arredores de Lisboa, na Linha de Sintra: 150 postos de postos de trabalho, numa aldeia satélite do Cacém, onde antes não havia nada nem coisa nenhuma.
Vieram novas gentes, mais casas, a mercearia, o lugar de hortaliça, as tabernas, as casas de pasto, a igreja paroquial, os correios, a sociedade recreativa, a filarmónica, o jazz band, o cinema, o teatro… a zona era aprazível, passou a ser conhecida, um refúgio de centenas de veraneantes lisboetas ao fim de semana no Verão.
O homem do norte morreu em finais dos anos cinquenta. Sem herdeiros para lhe continuarem a obra, da antiga fábrica de curtumes resta lá o local.
Hoje, em Rio de Mouro Velho, ninguém saberá quem foi António Pedroso, o industrial de Couchel, Vila Nova de Poiares, nem uma inscrição numa chapa enferrujada num muro… Mas do estudante rambóia, baladeiro ANTIFASCISTA que, com tudo do melhor nem um homem responsável soube ser, toda a gente sabe até a cor das cuecas.
Aniceto Carvalho

A RESPOSTA

A RESPOSTA
Fui apresentado a um antigo combatente que, sem me conhecer de lado nenhum, não perdeu tempo em me mostrar toda a sua boçalidade:
- Ah… Você é daqueles que faziam a guerra lá por cima…
- Com efeito – respondi - E bastante… Apesar das minhas funções não serem bem essas. Mas deixe-me dizer-lhe que, mesmo sem guerra, basta a ideia de entrar num avião para muitas pessoas se borrarem todas.

Aniceto Carvalho

QUAL O GALARDÃO?

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(O meu pai, a minha sogra e a minha mãe - 1963)

QUAL O GALARDÃO?

Qual o galardão para um homem que nunca teve uma bicicleta, que reune à sua volta aos setenta anos de idade nove filhos, (dos dez um tinha morrido aos vinte anos de morte natural), todos amigos, todos com vida estável e decente, com casa própria e carro à porta à conta do seu trabalho e honestidade? 
Chamava-se José Adelino Ferreira de Carvalho e era meu pai.

Aniceto Carvalho

IGREJA CATÓLICA

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(Igreja Matriz de Vila Nova de Poiares onde eu fiz a Primeira e a Segunda Comunhão)

IGREJA CATÓLICA

Sou católico por educação e tradição, respeito as pessoas e a sua fé, nunca as fanáticas nem as que não acreditam em nada sem saberem porquè.

Não sou católico de bater com a mão no peito.
Seja qual for a veracidade da fonte, embora por mera curiosidade do dia a dia, acompanhei desde sempre a obra da Igreja Católica. Também um pouco em Portugal, mas principalmente em Angola e Moçambique.
Subscrevo na íntegra o texto que se segue.
SOBRE AS CRÍTICAS é o que se sabe: Se a maior parte dos indivíduos que nunca mexeram uma palha na vida pelo seu semelhante se limitasse a falar somente do que sabe, este mundo era um paraiso de tranquilidade e silêncio.

A IGREJA CATÓLICA e o seu valor social
Da Igreja Católica pouco se conhece e muito se crítica!...
É justo reconhecer o valor da Igreja, em muitos aspectos sociais.
Um deles é o da saúde. Muitas pessoas não sabem que a Igreja Católica é a maior Instituição Caritativa do planeta. Se a Igreja Católica viesse a sair do Continente Africano, 60% das escolas e hospitais seriam fechados.
Quando a epidemia de AIDS estourou nos EUA e as autoridades não sabiam o que fazer, as freiras da Igreja foram convidadas a cuidar dos doentes, porque ninguém mais queria fazê-lo; No Brasil, até 1950, quando não existia nenhuma política de saúde pública, eram as casas de caridade da Igreja que cuidavam das pessoas que não tinham condições de pagar um hospital.
A Igreja Católica mantém:

NA ÁSIA
1.076 hospitais; 3.400 dispensários; 330 leprosários; 1.685 asilos;

3.900 orfanatos; 2.960 jardins de infância.
NA ÁFRICA
964 hospitais;  5.000 dispensários; 260 leprosários; 650 asilos; 800 orfanatos;
2.000 jardins de infância.
NA AMÉRICA
1.900 hospitais; 5.400 dispensários; 50 leprosários; 3.700 asilos;
2500 orfanatos; 4.200 jardins de infância.
NA OCEANIA
170 hospitais; 180 dispensários; 1 leprosário; 360 asilos; 60 orfanatos;
90 jardins de infância.
NA EUROPA
1.230 hospitais; 2.450 dispensários; 4 Leprosários; 7.970 asilos;
2.370 jardins de infância.

Independente de religião, deve reconhecer-se que criticada por fazer nada a Igreja Católica vive em ajudar o próximo. Sabe porquê? Nos tempos que correm não é um valor católico divulgar a caridade.

Aniceto Carvalho

SABE QUEM FOI?

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BAPTISTA PEREIRA


Por certo que você  já ouviu falar de um "célebre" roqueiro que tem o nome num avião da TAP, ou de uma senhora de seu nome Snu Abecassis que ninguém sabe a razão porque mereceu um filme como figura de relevo nacional... 

Tudo bem, por cá as coisas são assim.  

Mas, por mero acaso ou eventualidade, já ouviu falar de um tal Baptista Pereira, famoso campeão de natação português e internacional dos anos 50?

Clic aqui, veja quem foi Joaquim Baptista Pereira

Você talvez não, eu entendo... Mas eu eu tive a oportunidade de o ver por mais de uma vez em maratona a subir e a descer o Mar da Palha. 

Aniceto Carvalho

FERREIRA DE CASTRO

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Clic e veja: - José Maria Ferreira de Castro

Um dos maiores escritores portugueses de sempre que escrevia a vida que lhe tinha passado pelas mãos... não a mediocridade de esquina que quando atrvevessa o rio já não diz coisa com coisa por não ter imaginação para mais. 

Tive o superior privilégio de ler quase toda a sua obra da biblioteca dos Clube de Sargentos da Base Aérea 6, no Montijo, nos anos 60 do Século XX. 

Toda a gente devia ler a "Volta ao Mundo"... Não necessariamente a mais cara e ilustrada edição, a normal chega muito bem e vale bem a pena.

Aniceto Carvalho

OS TRÊS MAIORES

Três dos maiores estadistas de todos os tempos, não só em Portugal, mas em todo o mundo. Mais relembrados neste  país até aos nossos dias, não pela intemporal obra por si realizada no seu tempo, mas por terem reduzido a trampa, tirado o pio e as mordomias à cáfila de achadiços do costume, que ainda não lhes perduou.
Pelas mesmíssimas razões, tem acontecido com outros. 

Clic e veja: D. João II - O Príncipe Perfeito

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De seu nome: Sebastião José de Carvalho e Melo

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Clic e veja:António de Oliveira Salazar

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Aniceto Carvalho

Bibliotecas Itinerantes

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Contra factos não há argumentos 

 

(Veja com os seus olhos: Com computadores, bases de dados, etc., em qualquer biblioteca municipal onde você entre tem mais funcionários que utentes. CONFIRME). 

Agora clic e veja:  

Bibliotecas Itinerantes

Bibliotecas Caloust Gulbenkian

No tempo em que Portugal era um país "atrasado", havia umas carrinhas da Gulbenkian a correr o país, de porta em porta, que punham os livros à frente dos olhos dos eventuais leitores...

(Sem esquecer que, além das Bibliotacas Itinerantes da Gulbenkian, algumas "terras" modestas de província tinham bibliotecas bem interessantes...

Como a da Praia do Ribatejo, da qual li bastante nos finais dos anos 60).
Hoje qualquer terriola tem uma apetrechada e luxuosa biblioteca com montes de funcionários. Os livros estão lá dentro. E assim, como ninguém os vê, também ninguém os lê.
Não adianta: Por mais voltas que lhe queiram dar, por mais areia que nos queiram atirar aos olhos, por mais apetrechada que seja uma biblioteca no centro da cidade não tem rigorosamente nada a ver com uma biblioteca itinerante que levava os livros à porta das pessoas.

À Binlioteca Itinerante, parada à sua porta, ia a dona Aurora requisitar um novo livro, ia a vizinha ver as novidades e já agora levava um, para ela, para o marido ou para o filho, (mesmo que fosse só para não ficar atrás), e ia a alcoviteira do fundo da rua desenferrujar a língua... que, se calhar, um dia destes, ainda ia levar também um para dar uma vista de olhos.

Ah... E iam também as criancinhas... o que era muito importante.

Era o que se via: E vejam aqui também para confirmar:

Bibliotecas Itinerantes

Hoje, à luxuosa biblioteca vai o velhinho ler o jornal. Mais ninguém vai "perder tempo" onde nada há para ver, com uma data de superfícies comerciais para passear e regalar os olhos.
Bibliotecas Itinerantes, no entanto, são velharias... Enquanto se gastarem fortunas em cinema, teatros e outros fantochadas que ninguém vê nem quer saber, só para dar "trabalho" a hipotéticos "artistas" de compadrio, afins e similares, o dinheiro nunca poderá chegar para tudo.

É por isso que os cães adoram roer ossos?... Porque não lhes dão a carne. 
Aniceto Carvalho

CHAMA-SE STAND-UP

CHAMA-SE STAND-UP
Estive a ver esta noite uma bacorada a que dão nome de “Stand-up” onde, um pseudo-artista conta anedotas ordinárias, alto e bom som, com todas as letras, para uma sala cheia de casais supostamente gente de bem.
Do pior… para o meu gosto.
Dizia-se nos meus tempos de militar: “Brincadeiras de homens são coices de burro”. Esta singela frase evitou muitas nódoas negras, muitas desavenças e mal entendidos onde toda a união e amizade nunca eram demais.
São princípios: Na minha família, nem na minha área profissional, ninguém chamava nomes a ninguém, não se usavam palavrões, só há pouco tempo me tenho permitido alguma linguagem menos filtrada com o meu filho.
Podem pensar o que quiserem, mas assitir com a minha mulher a um espectáculo destes era uma coisa que nunca na vida me passaria pela cabeça.
NUNCA… POR RESPEITO MÚTUO.
Não ter vergonha de assistir a uma coisa destas com a mulher é falta de respeito… e a falta de respeito leva a tudo do pior que se possa imaginar.
Aniceto Carvalho

E O RESTO É DOR DE CORNO

E O RESTO É DOR DE CORNO
Trabalhava numa fábrica nos anos 80, um dos meus amigos, era ainda um jovem do meu tempo, bom rapaz, mas um pouco destravado.
“Ficou assim por causa da Guerra do Ultramar” - dizia-se.
(O jovem tinha estado em Angola nos anos 60).
Um outro camarada de trabalho mais velho, ali ao lado acrescentou:
“Eu conheço o Manel desde pequeno… o Manel sempre foi assim".
Tal como eu penso: Tenho encontrado por aí centenas de indivíduos completamente desaparafusados que nunca puseram os pés na Guerra da Ultramar. 
Fiz dez anos de Guerra no Ultramar. Ninguém me obrigou a ser militar de carreira.

Conheci alguns jovens do meu tempo que, não por terem fugido, mas porque lhes calhou, não foram mobilizados para o Ultramar.
Nunca lhes conheci depois grandes felicidades por isso.
Nunca faltaram militares nas tropas de ingresso voluntário… e, do contingente geral, se uma grande maioria que lá esteve não tivesse sido mobilizada, os traumas hoje seriam muito maiores e em maior número.
Se fosse eu, nem me poderia olhar ao espelho.
O resto é dor… e conversa para adormecer patego.
Aniceto Carvalho

VIAJANTES DO MUNDO

VIAJANTES DO MUNDO

A 99% dos viajantes do mundo cujo projeto de vida é visitar 

o Macho Picho eu gostava de perguntar se já viram algum programa da série "Visita Guiada".

Aniceto Carvalho

A SENTENÇA DO JUIZ

A SENTENÇA DO JUIZ

Nos velhos tempos não havia abortos destes ou, se os havia, tinham sempre o lugar reservado e certo na estrumeira... mas hoje, um analfabeto que não sabe responder quantos são nove vezes sete no mesmo minuto, e aos quarenta e tal anos vive à conta dos pais, deita palpites sobre a sentença de um juiz. 

 

E AGORA? - Perguntamos: Agora, como é próprio em gente desta, vão aparecer por aí de rabo entre as pernas a pedir testemunhas e solidariedade.

Aniceto Carvalho

CONSERVACIONISTAS

CONSERVACIONISTAS
Com 2.700 quilómetros do Rovuma à fronteira Sul, embora oito vezes e meia maior que Portugal, Moçambique estava muito longe das condições de bem estar humano europeias na maior parte do território.

Uma entidade oficial do Estado sediada em Lourenço Marques que, embora por fora, eu conheci razoavelmente, supervisionava toda uma actividade profissional de Norte a Sul de Moçambique… como sempre, em confortáveis e climatizados gabinetes, e zelosos funcionários, inspectores, que nem profissionais do ramo tinham sido.
Não era preciso acontecer nada de especial na Beira, em Quelimane, nem em Nampula ou Porto Amélia para de repente, sem mais nem menos, aparecer lá na terra um ou dois inspectores a deitar palpites, a moer o juízo de quem trabalhava.
Praia, hotel e ajudas de custo, claro está..
Em Tete era diferente: O banho de calor não compensava as mordomias.

E por isso, parece que a pedido da criatura, o departamento mandava para a cidade do Zambeze uma variante de achadiço/lambe-cus que da profissão percebia zero.
Isto nos anos setenta do Século XX… Já mudou alguma coisa?
Os hotéis de Caracas, de Washington, de Nova Iorque, de Paris, de Bruxelas, da Serra da Estrela, do Buçaco, do Algarve já mudaram para a República Centro Africana, para o Sudão do Sul, para o Afeganistão ou para o Corno de África?

A teoria tanto ao gosto dos conservacionistas de que o homem invade e espanta os animais selvagens do seu habitat natural tem a mesma consistênciaa e veracidade que a do aquecimento global. Na verdade, os animais selvagens é que tendem a andar atrás do homem. Os conservacionistas é que não sabem isso… nem quem os ensina.
Eu ainda gostava que uma criatura destas me explicasse a razão porque grande parte da fauna e da flora desapareceram na minha terra.

Se o lavrador deixa de lavrar a terra nunca mais ninguerm vê a lavandisca a dar ao rabo leira abaixo leira acima atrás do arado. Terra abandonada definha, deixa de respirar, desaparece a cadeia alimentar inferior. Se não há presa não há predador.
Se a figueira de figos bacorinhos deu a alma ao criador sem sentir o calor da mão humana por perto, e o antigo quintal é agora uma selva, e a ninhada de pintos deixou de debicar nas couves, que estariam a fazer os estorninhos em Valr do Forno, e o peneireiro a adejar por cima do olival da Avessada?
Aniceto Carvalho

BEM VINDOS A BEIRAIS

BEM VINDOS A BEIRAIS
Extraído e adaptado de um dos episódios de “Bem Vindos a Beirais”.
Eram duas das cinco aldeias finalistas à “Melhor Aldeia de Portugal”.
Uma mais rica do que a outra. A mais pobre a viver uma situação económica difícil.

É então que a dias da vésperas do concurso aparece o presidente da junta de freguesia da aldeia mais rica a querer "comprar" o presidente da junta de freguesia da povoação mais pobre para que este desistisse do concurso.
Este último, uma mulher, tinha-os no sítio: “Não, nós vamos dar a volta por cima… Embora ainda corrente no nosso dia a dia por esse mundo fora, pão e jogos para não fazer o povo trabalhar, era no tempo dos romanos”.
Aniceto Carvalho

GENTE RELES SEM VERGONHA

GENTE RELES SEM VERGONHA... É Quando um polidor de esquinas sem um pingo de verticalidade se vem vangloriar para a televisão portuguesa de ter participado numa vergonha destas.  De entre vários, um tal João Braga. 

https://en.wikipedia.org/wiki/Cascais_Jazz_Festival

UM TAL ORNETTE COLEMAN
Estamos em 1971. Milhares de portugueses, militares e civis, sacrificam as suas vidas pelo pais na Guerra do Ultramar, outros milhares de homens e mulheres choram os filhos, os maridos e os namorados ausentes.
Estamos em 1971 e, enquanto isto, num pavilhão de Cascais a abarrotar de betinhos imprestáveis futuros polidores de esquinas enquadrados e orquestrados por comunas disfarçados de gente bem, aplaudem delirantes um bandalho americano que está em Portugal a sugar o nosso sangue, e que instigado sabe-se lá por quem, obviamente outro pulha como ele, dedica a sua canção "Song for Che", esta já de si um monte de esterco, aos movimentos de libertação de Angola e Moçambique que combatem contra Portugal.
No tal Portugal da “ditadura” nem sequer foram molestados… mas num país onde a diferença de opinião era condenada com a morte lenta na Sibéria, qual seria a reacção de um Estaline a uma coisa destas?

Aniceto Carvalho

ALVES DOS REIS, UM SEU CRIADO

ALVES DOS REIS, UM SEU CRIADO
No Canal Memória da RTP estão a repetir o “Alves dos Reis, um seu criado”. Na novela, do principio ao fim, o personagem tem uma verdadeira fixação pela grandeza e riqueza de Angola. Era a mais rigorosa das verdades. O que de facto qualquer pessoa sentia ao pôr os pés naquela maravilhosa terra.
O resto, de então para cá, é o que se sabe.

 

Fiz a primeira comissão de serviço em Luanda mas… porque os helicópteros, ao que estava destinado, iam para o Negage, foi para o planalto do Uíge que fui recambiado quando parti para o Ultramar no dia oito de Agosto de 1961.
Um jovem controlador de tráfego aéreo que tinha chegado à Base Aérea 6 uns tempos antes era natural do Negage, nada me podia ter calhado melhor para saber tudo da terra que eu estava prestes a conhecer. Tivémos de interromper a aconversa, lá nos encontrámos meses depois. O jovem cabíssimo simpatizava comigo, eu com ele, do Negage e de tudo o que dizia respeito ao Planalto do Uíge, pouco ficou que não tivesse sido exposto, esventrado, estudado por todos os ângulos.
De clima temperado de planalto, no qual um ligeiro abafo na cama em qualquer altura do ano era o bastante, tudo em Negage eram colinas verdejantes onde, de repente, eu tinha regressado aos meus catorze anos em Queluz de olhos esbugalhados nas paisagens de uma revista americana, uma profusão de cor, cowboys e gado nas pradarias do Far West.
- Não seja por isso – atalhou o meu interlocutor. – O que falta por este Uíge fora é terra para quem tenha unhas para ela.
Unhas, que não as minhas… Eu era casado tinha sido pai há meses, estava no patamar mais importante da carreira profissional, não tinha dinheiro nem experiência de agricultor, pelo que me pareceu depois, numa terra predominantemente de fazendeiros de café, era tão normal a criação de gado no Planalto do Uíge como a pastagem de golfinhos nos Montes Hermínios.
Tinha sido uma ideia… nada mais. Mas bastava alguma imaginação para ver emergir da terra vermelha do Uíge todas as riquezas de Angola.

APENAS ISSO... ATÉ HOJE. "Infelizmente, para aquela gente" - como terá dito Salazar quando soube da descoberta de petróleo na então província portuguesa.   
Aniceto Carvalho