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Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Quando o cavalo passa

QUANDO O CAVALO PASSA
Tinha eu os meus vinte três anos, sem ter mexido uma palha nesse sentido, tive um “padrinho” daqueles de pôr um indivíduo nos píncaros da Lua pela porta grande.
Dizia ele: “Eu ponho-o lá dentro no melhor lugar, deixo-lhe as melhores portas escancaradas prontas para o receber... se ele tiver unhas, fica com o mundo á espera.

E pôs mesmo. E o resto, que eu percebi claramente logo na prova de candidatura, era também rigorosamente verdade. Só faltava a passadeira vermelha. Nunca conheci o homem. Graças a Deus. Pelo menos não passei pela vergonha de uma valente chazada.
Desisti de mudar de vida nessa altura, mal ou bem, não me arrependi.
Mas, como dizia o meu chefe Joaquim Prazeres, nos Serviços de Aviação do Gabinete do Plano do Zambeze, em Tete, em 1971, a analogia permanece intacta:
“Na vida de um homem há sempre um cavalo branco que passa… difícil é apanhá-lo e saltar-lhe para cima, permanecer lá sentado depois, apenas e para poucos”.
Aniceto Carvalho

Os Achadiços

OS ACHADIÇOS

Quando um pobre de Cristo passa uma vida inteira de braço no ar em greves e manifestações, em comícios, a deitar palpites pelo partido na televisão, e nem a chave de um caixote velho lhe confiam, não teria sido melhor ter-se dedicado a trabalhar e a ser competente?
Caramba!!! Eu fui uma única vez a uma reunião política. Levantei-me, disse duas coisas sem jeito nenhum, contra minha vontade fui logo eleito delegado da estrurura local.

Estive lá cerca de um mês, acho eu. E até era bom... Delegado da manutenção da DETA na Beira e em todo o Norte de Moçambique, Quelimane, Nampula, Tete e Porto Amélia, competía-me ver das necessidades do pesoal e resolvê-las em Lourenço Marques. Hotel do melhor, à barão, tudo pago e ajudas de custo. Pelo menos uma vez por semana. Quem é que não agarrava uma coisas destas com unhas e dentes? Nanja eu... como se dizia na minha terra.

A minha mulher começou a dizer que comprendia as minhas constantes ausências quando eu andava na guerra... mas que agora lhe cheirava a boa vai ela.

Não era boa vai ela... mas aquilo também não me agradava por aí além. 

Um dia, na DETA, em Lourenço Marque, tratava-se de discutir e alterar os estatos da empresa. Duas horas na escolha  de uma palavra:  Cheguei à Beira,  pedi a demissão.

De nada valeram os protestos de uma data de gente a dissuadir-me.

TUDO VERDADINHO. ACREDITEM SE QUISEREM.  

Aniceto Carvalho