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Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

A FILHA DO MIÚRA

A FILHA DO MIÚRA
Romance intenso, dramático, de faca e alguidar, horrível, em quatro personagens:

O Miúra, a filha do Miúra, o caseiro do Miúra e o aviador.
Sinopse: A criatura parecia mesmo um Miúra. Cabeçorra descomunal, careca até meio da cabeça, irradiava a simpatia de um daqueles bichinhos sorridentes de duas toneladas das margens do Zambeze. Era médico.
Era médico e tinha uma filha no princípio da adolescência.
O caseiro tinha um filho que era candidato a ingressar na aviação. Perguntou ao Miúra se podia ver o filho já que o rapaz estava com receio da inspecção.
Sem nem sequer conhecer o jovem, o Miúra sentenciou:
- O teu filho não tem físico para a aviação.
Mas o jovem ingressou mesmo na aviação. Didicou-se, trabalhor, esforçou-se, estudou, lutou, alguns anos mais tarde era oficial piloto aviador.
Faz tremer a terra nuns rapanços, a seguir aparece por lá de galões a brilhar, faixa escarlate e espada a cintilar… Nada a fazer, foi tiro e queda.
Depois foi para a guerra… Tinha mais que fazer… FIM
Mas ficou a nódoa: Que ainda hoje se ouve nas noites da Quarta Roubada, a Vale de Viegas, à Cova do Cume, um canto pungente e distante:
Anda o homem a criar uma filha,
Vem um malandro e fódi-a,
A filha fica com o gozo
E o pai fica ca nódia
Aniceto Carvalho

A CAROÇA

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A famosa CAROÇA das Beiras e  Trás-os Montes

A narureza em todo o seu vigor: Na minha terra, em tempos idos uma lagarta, não sei de que borboleta, tinha uma fatiota precisamente igual

Aniceto Carvalho

SE EU ESTIVESSE CASADOIRO

SE EU ESTIVESSE CASADOIRO

Se eu hoje tivesse 26 ou 27 anos, com as condições que um homem em tempos exigia a si mesmo para levar uma mulher ao altar, eu casaria com uma mulher pigmeu do sopé do Kilimanjaro, com uma Jivara da vertente amazónica dos Andes, com uma caçadora de cabeças do Bornéu ou da Nova Guiné, com uma lavadeira da Lourinhã, com uma mulher a dias da Quinta do Conde... nunca jamais na vida casaria com uma doutora carregada de DRs e canudos que não estivesse pelo menos metade do dia em casa a fazer-me companhia a educar os filhos e a cuidar da casa.

E NÃO ESTOU A BRINCAR
Aniceto Carvalho

TORDOS MORIBUNDOS

COMPETÊNCIA, APLAUDE-SE
A então minha jovem futura mulher gostava muito de um tal Amadeo Nazari, um galã italino do cinema neo-realista da época, quando a Silvana Mangano, quase toda nua, coitadinha, cheia de frio, boa que estorvava, andava a mondar arroz com as saias pela cintura na Bacia do Pó. Eu achava que era muito mais bonito do que ele.
Fora destes pormenores de percurso, como não sou de aplaudir artistas, na altura via os filmes sem ligar a menor importância a quem os interpretava.
Não sou de aplaudir artista, ponto. Principalmente quando é o caso português em que além de penacho e  crista se aproveitam dois ou três.
A noite passado no entanto, vi na SIC os 30 anos do Toni Carreira na Altis Arena.

ISTO É COMPETÊNCIA É PROFISSIONALISMO.
Este Tony Carreira não tem nada a ver com tordos moribundos, com Abrunhosas em manjedoura partidárias, com velhinhos decrépitos e parolos de mão estendida ao subsídio para cantar umas cantiguinhas que já ninguém pode ouvir.
Aniceto Carvalho

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