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Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

A navalha do capador

A NAVALHA DO CAPADOR
Todas as profissões são dignas… depende da utilidade na sua época.
Como possivelmente se saberá, além do porco crescer mais e melhor quando capado, a sua carne é muito mais gostosa na altura da matança. No princípio dos anos 40 do Século XX quase todas as casas da minha terra criavam um porco. Na casa do meu avô, uma das panelas de três pernas ao lume, a maior de todas, talvez de vinte litros, era a do porco.
Nos primeiros meses do ano o capador tinha sempre muito com que se entreter.
Tendo sido proibida a matança do porco caseiro, (como eu penso que foi), e com o abandono da ruralidade, perdeu-se a tradição de “criar o porco”, com isso, (creio, eu saí da terra pouco depois),  desapareceu o muito solicitado capador dos meus verdes anos.
O capador, como o matador, era um curioso da região que herdara a arte de um avoengo sabe-se lã de há quantas gerações. O capador trazia com ele um pequeno baú de folha, lá dentro as respectivas ferramentas, facas, agulha e linhas próprios à “cirurgia”, frascos de desinfectante, assinalava o itinerário com uma flauta peruana como a do amola-tesouras.
A figura do capador não era muito simpática aos miúdos da minha idade, na minha terra, no meu tempo: A “navalha do capador” era a primeira ameaça que os anciãos tinham na boca à mais pequena traquinice.  Era a brincar, nós sabíamos… mas nunca fiando.
Aniceto Carvalho

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