Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

ALVES DOS REIS, UM SEU CRIADO

ALVES DOS REIS, UM SEU CRIADO
No Canal Memória da RTP estão a repetir o “Alves dos Reis, um seu criado”. Na novela, do principio ao fim, o personagem tem uma verdadeira fixação pela grandeza e riqueza de Angola. Era a mais rigorosa das verdades. O que de facto qualquer pessoa sentia ao pôr os pés naquela maravilhosa terra.
O resto, de então para cá, é o que se sabe.

 

Fiz a primeira comissão de serviço em Luanda mas… porque os helicópteros, ao que estava destinado, iam para o Negage, foi para o planalto do Uíge que fui recambiado quando parti para o Ultramar no dia oito de Agosto de 1961.
Um jovem controlador de tráfego aéreo que tinha chegado à Base Aérea 6 uns tempos antes era natural do Negage, nada me podia ter calhado melhor para saber tudo da terra que eu estava prestes a conhecer. Tivémos de interromper a aconversa, lá nos encontrámos meses depois. O jovem cabíssimo simpatizava comigo, eu com ele, do Negage e de tudo o que dizia respeito ao Planalto do Uíge, pouco ficou que não tivesse sido exposto, esventrado, estudado por todos os ângulos.
De clima temperado de planalto, no qual um ligeiro abafo na cama em qualquer altura do ano era o bastante, tudo em Negage eram colinas verdejantes onde, de repente, eu tinha regressado aos meus catorze anos em Queluz de olhos esbugalhados nas paisagens de uma revista americana, uma profusão de cor, cowboys e gado nas pradarias do Far West.
- Não seja por isso – atalhou o meu interlocutor. – O que falta por este Uíge fora é terra para quem tenha unhas para ela.
Unhas, que não as minhas… Eu era casado tinha sido pai há meses, estava no patamar mais importante da carreira profissional, não tinha dinheiro nem experiência de agricultor, pelo que me pareceu depois, numa terra predominantemente de fazendeiros de café, era tão normal a criação de gado no Planalto do Uíge como a pastagem de golfinhos nos Montes Hermínios.
Tinha sido uma ideia… nada mais. Mas bastava alguma imaginação para ver emergir da terra vermelha do Uíge todas as riquezas de Angola.

APENAS ISSO... ATÉ HOJE. "Infelizmente, para aquela gente" - como terá dito Salazar quando soube da descoberta de petróleo na então província portuguesa.   
Aniceto Carvalho

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.