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Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

COM OITENTA E QUATRO ANOS

COM OITENTA E QUATRO ANOS
Com uma boa memória e honestidade, as coisas eram assim:
Não minto, já não tenho idade para precisar de ficar bem na fotografia.
Está para aparecer o primeiro que me desminta ou corrija... com factos, não com coversa fiada de politiqueiro abrilista de trazer por casa.

Com os quarenta e cinco anos do 25 de Abril ainda para durar, raro é o dia que não passa na televisão a biografia de um velho abrilista.

Então com 39 anos, a trabalhar no duro e a sério desde os doze, é hoje para mim um manjar dos deuses ouvir essa gentalha: Desgraçadamente ainda não encontrei em nenhum deles uma réstia de que terão valido alguma coisa no tempo do Estado Novo.

O rapaz trabalhava numa fábrica desde os onze anos, aos dezasseis foi recrutado pelo PCP. (Eles dizem que aderiu). Depois de vinte anos de clandestinidade, a viver ninguém sabe de quê nem para quê, durante a qual nunca mais teve acesso a uma palavra que não fosse da cartilha estalinista, em 1974, cheio de saber, experiência de vida e consciência polítiba tinha um lugar de deputado reservado no píncaro da política do país.
Foram às centenas, como se sabe.
Esteve há dias na televisão: A velha ladainha, a cartilha, a lavagem ao cérebro, os crimes, as perseguições, as torturas… aos mais de 80 anos, saudável que nem um pero.
Vinha comemorar um feito grandioso: Os cinquenta anos do seu casamento realizado no Forte de Peniche nos tempos tenebrosos do fascismo. (!!!!!!!!!!!!!!!!!)
E adiantou que Portugal estava tão mal que, na Itália, além de não aceitarem o dinheiro português a um seu amigo ainda gozaram com ele.
Por esta altura, já passados os trinta, eu tinha uma vida de trabalho desde os doze, nunca tinha vivido escondido de ninguém, tinha uma boa dose de experiência de vida, até uma comissão na Guerra do Ultramar.
Sempre tinha pensado pela minha cabeça… Há largos anos que eu lidava com muita gente, portugueses e estrangeiros, embora por pouco tempo, até já tinha estado fora do país.

De tudo o que eu conheci e conheço, pouco ou nada tem a ver com o que esta gente diz.

Quendo um palermoide, possível futuro governante diz depois do 25 de Abril de 1974 para os jovens de duas décadas antes que “os namorados dos anos 50 nem sequer podiam andar de mão dada na rua”, mais alguma coisa merece crédito vindo desta gente?
Não. Basta uma vida igual à minha para ninguém precisar de mentir.
Quando a moeda portuguesa era uma das mais fortes do mundo, e a peseta valia menos de metade do escudo, 40 centavos, a LIRA nem sequer entrava na discussão.

Por essa altura, quando, o fantástico neorealismo italiano estava no máximo, creio que vi quase todos os filmes. Os italianos falavam da LIRA aos milhones... porque, mesmo aos milhares a moeda italiana nem para encher almofadas servia.   

Por mais que repetida nos anos, dure o que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre uma coisa repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Não tenho de respeitar ninguém que quer fazer de mim atrasado mental.

Nem me interessa que queiram justificar os sacrifícios que dizem ter sofrido com a minha liberdade... Dispenso. As liberdades deles nunca me fizeram falta nenhuma. 

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Aniceto Carvalho

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