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Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

CURVAS DO TEMPO

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CURVAS DO TEMPO
A primeira miúda que me fez revirar os olhos a dançar foi a Helena “Zanaga”, minha prima, num baile nas Paúlas, lá na terra, no São João de 1952… a segunda foi a Madalena, um ano mais tarde, na Sociedade do Algueirão de Cima. Era o sangue dos dezassete, dezoito anos em todo o seu vigor.
Dois anos depois, no baile da Tertúlia Tauromáquica do Montijo, a Daniela era a miúda mais bonita e jeitosa, a que melhor se ajustava à medida do meu braço direito, à altura da minha boca, aos contornos do meu perfil dos vinte anos.
Era o que eu pensava, não necessariamente o mesmo que ela: Só ela, sozinha, a Daniela deu-me mais tampas nos bailes da Tertúlia Tauromáquica do Montijo do que todas as outras desde os meus primeiros passos de dança aos três ou quatro anos nos bailes em casa do meu pai.
E ainda bem… podem acreditar.
A Daniela, no entanto, a verdade seja dita, não dançava comigo mas também não dançava com mais ninguém. A Daniela esperava o principe encantado: Um presunçoso menino bem  do sítio que, lá por ter mais um ou dois anos de escola, embora nem carne nem peixe na sociedade montigense, navegava na esteira dos fidalgotes da terra. A criatura tinha enxovalhado a moça, esta contou ao pai, este sacudiu o artista pelos colarinhos, antes que as coisas piorassem com umas arrochadas, o pertenço menino bem desandou para outras paragens.
O presunçoso galã acabou por casar com a miúda do mais fantástico par de pernas do Montijo, talvez da Penímsula de Setúbal e arredores.
Aparentemente impensável na altura, a Daniela casou com o Narciso, um modesto jovem montijense da mesma altura que eu não conhecia.
Passaram largos anos, porque as famílias destes montijenses e a da minha mulher eram vizinhas, nos anos oitenta lá voltámos s cruzar os mesmos caminhos não muito longe uns dos outros nas imediações do centro ds vila ribatejana.
Por razões comerciais fui amigo do Narciso na altura que ele abriu um estabelecimento de venda de artigos eléctricos na Avenida João de Deus.
Um dia mandei lá o meu filho, na altuta com vinte e poucos anos comprar não sei já què. Regressou extasiado, de olhos a brilhar:
- Que fantástica miúda!!! – disse ele ao regressar.
Referia-se à jovem que o tinha atendido, filha do Narciso e da Daniela.
- Cuidado – avisei. - Essa moça é filha de uma das mais bonitas miúdas do Montijo de há trinta anos atrás… hoje uma parente próxima do Abominável Homem das Neves, por ali, entre a Ti Mila Das Meias e a Casa Faz Chuva.

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Aniceto Carvalho