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Réstias do Tempo BEYOND

Esconder quem somos sugere sempre contas por ajustar com o passado.

Réstias do Tempo BEYOND

Esconder quem somos sugere sempre contas por ajustar com o passado.

O paroquiano Pompílio

O paroquiano Pompílio
Acabado de chegar à terra, como qualquer pároco nas mesmas condições o jovem padre atacou em força na conquista de fieis para a paróquia. O período da Páscoa era a melhor.

Tarefa difícil no entanto, considerou o padre, estava a ser levar o Pompílio à missa. O Pompílio nunca tinha ido à missa nem entrado na igreja. Mas isso tinha sido com os padres anteriores.
Dito e feito: Depois de três semanas de catequese por tudo o que era vereda e quelha em volta da aldeia cada vez que o pároco encontrava o paroquiano, no Domingo de Páscia lá estava o Pompílio de olhos misericordiosos em alvo postos nos santinhos e todas as palavras do padre na cabeça... No alto, o padre, imponente, lá em cima no púlpito:
- Meus queridos irmãos… Nosso Senhor Jesus Cristo foi  apedrejado, foi crucificado, foi morto…

O Pompílio não podia conter tanta emoção por tanto sofrimento:
– Coitadinho!... coitadinho!... coitadinho!…coitadinho! - repetia o recém convertido paroquiano Pompílio de lágrima no canto do olho, a milímetros do choro convulsivo. 
No ano seguinte: A mesma boa vai ela do Pompílio, o mesmo fadário do ano anterior do padre.

Mas no Domingo de Páscoa, lá estava o devoto Pompílio de mãos postas em oração entre os fieis... lá no alto o senhor prior, imponente nas suas vestes sagradas.
- Meus queridos irmãos… Nosso Senhor Jesus Cristo foi insultado, foi apedrejado, foi…
- Olhe senhor padre!... - saltou no banco de dedo em riste o paroquiano Pompílio. - E foi muito bem feito! Se já lhe tinham feito isso o ano passado, que não voltasse lá outra vez.
Aniceto Carvalho