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Réstias do Tempo - Blogmaster

Esconder quem somos sugere sempre contas por ajustar com o passado.

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Esconder quem somos sugere sempre contas por ajustar com o passado.

Regresso a Couchel

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Regresso a Couchel

Clic e veja: - Trilhos de Couchel

E também: - Bailes do Zé Adelino

Em memória e preito aos habitantes de Couchel.

Como o nome indica, "Regresso a Couchel" é para ser mesmo um Retorno a Couchel com uma visão do autor sobre as terras por onde andou.

Talvez que também um livro... vamos a ver.

Siga o blogue... ou veja as ligações na coluna da direita

 

O Lugar de Couchel

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As grades da minha escola

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Vale de Vaz, princípios dos anos 40 do Século XX. A minha escola primária em toda a sua grandeza, como eu a frequentei de 1942 a 1946.

A Estrada da Beira passa a seguir ao carreiro depois da escola, a meia dúzia de metros onde se vêm os últimos choupos. Apesar do local perigoso apenas um miúdo morreu na zona ainda antes de eu ter entrado na escola.
Notem bem:
Quarenta (40) alunos das quatro classes, apenas uma e só uma professora.
No meu último ano de primária esta adolescente de 19 anos, levou “todos os dez alunos da 4ª. Classe” a exame e ficaram todos aprovados.
Na reunião prévia à pergunta do presidente do júri sobre que avaliação fazia ela dos seus alunos respondeu: “Os meus alunos são todos para ficarem aprovados, o Domingos é para ficar distinto”.
Nesse tempo os miúdos não ficavam com o coração nas mão meses seguidos à espera de saber o seu aproveitamento numa disciplina… os resultados eram afixados na escola minutos depois dos exames terminados.
E lá estava: “Todos aprovados, o Domingos, distinto”
Acreditem:
Esta professora dava-nos ginástica, (ela própria), e organizava jogos, levava-nos ao cinema a ver filmes históricos, “Inês de Castro”, por exemplo, e a fazer pique niques nas margens do Rio Ceira.
(Era de Vide... a cem quilómetros da minha terra).
Percebem, ou querem que explique melhor?
Na foto ao lado , na sombra onde está estacionado o carro, no Rossio de Vale de Vaz, era o recreio em pleno ar livre. (E nunca ninguém morreu).
Está lá o edifício. Mas há muito que esta escola, e depois a da Gândara, que serviam aquela Zona Sul de Vila Nova de Poiares, Vale de Vaz, Couchel, Vale de Vaíde, Framilo, Valeiro das Hortas, Vale de Viegas, Cascalho, Vendinha, Entroncamento, etc., deixaram de funcionar por falta de crianças.

 

Dia de Espiga - Criquelhas

Clic para ver... vale a pena

Dia de Espiga - Ceiquelhas

Uma interessante manifestação cultural popular dos bons velhos tempos que vale a pena conhecer ou recordar. Quinta-Feira de Ascenção.

 

Em memória da minha irmã

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Clic e veja: - Um dia inesquecível

 

Em memória do meu irmão

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Carlos José Ferreira de Carvalho (Tio)

Falecido em 07 de Dezembro de 2017 com 78 anos de idade.

Comparando com o que este lutou pela pátria, outros que têm o nome de ruas espalhados por este país nem o nome de pocilgas deviam ter.

Nós os dois em Tourais, Seia, numa visita que eu e o afilhado dele, o meu filho, lhe fizemos em Setembro de 2015.

Sou o de casaco, mais velho quatro anos.

Perante o mundo e a vida sempre fomos os dois em relação um ao outro mais ou menos o que a fotografia mostra.

 

Um ninho na Fonte das Tortas

Encontrar um ninho deste artista, um rouxinol, era um prodígio.

Um dia encontrei um na Fonte das Tortas, na melhor boa fé ensinei-o ao Alberto “Mascarenhas”, o meu maior amigo. Avisei-o repetidamente:
- Se roubares este ninho, mato-te, corto-te aos bocadinhos e dou-os ao cão

da Abessada, o Mondego, e ao Liró, o cão do Ti António Henriques!
O Alberto nem pestanejou: Logo que virei as costas, roubou o ninho.
Não matei o Alberto “Mascarenhas” mas, fica aqui dito que foi por uma unha negra que não o entreguei num cestinho à ti Maria do Alpendre.
Clic e recorde:

http://projectoteclar.blogspot.pt/2007/06/os-ninhos.html

“Mascarenhas” porque a minha tia Alcina achava que Mascarenhas queria dizer artolas. Mas não. O Alberto não era artolas. Nem perto. Na verdade era mais ajuizado do que eu com uma paciência infinita para me aturar.

O Alberto continuou a ser o meu maior amigo, por certo o meu melhor amigo de todo o sempre se acaso tivéssemos seguido vidas próximas.
Esteve de visita em minha casa em 1965, antes da minha segunda comissão, cada um voltou a seguir o seu caminho, nunca mais o voltei a ver.

As cuecas pretas da Arminda

Naquele tempo, por volta da metade dos anos 40, bem antes e depois, todo o bocado onde fosse possível plantar uma couve ou semear uma batata era aproveitado na minha terra.

A zona sempre foi bastante limitada de recursos agrícolas.

Cá em baixo, no vale, nas margens da Ribeira de Vila Chã, nem tanto, as culturas eram de regadio sofrível, mas lá em cima, no planalto de Couchel, cá para mim uma ancestral fortaleza natural de atalaia às avoengas da Estrada da Beira, salvo dois ou três casos de poços profundos com minas, boa parte das leiras não tinham um pingo de água no Verão.

Uma dessas leiras era do meu avô: Um rectângulo de torrões ressequidos em ligeira inclinação do Cabeço para a quelha da Avessada, que dava grão de bico e tremoços para azotar a terra em poisio, e cereal de segunda qualidade, centeio, cevada e aveia na época mais fértil.   

Melhor ou pior, era a altura da ceifa. As ceifeiras eram a minha tia Dora, minha madrinha, uma rapariga de 23 anos, um torrão de açúcar na época, e a Arminda, uma mocetona peituda com a mesma idade, que transpirava hormonas, e umas pernas que pareciam duas colunas jónicas. 

Eu andava por ali. Se as duas moças me davam corda, o que era normal, não era de esperar que eu fosse rezar na Capela da Eira dos Santinhos. Tinha os meus oito ou nove anos, não era cego, o meu avô dava uma ajudinha a completar o ramalhete.

A Dora olhou para o lado, fez sinal à Arminda, a Arminda olhou para baixo, apanhou-me esparramado de costas no chão com os olhos cravados lá no alto mesmo no meio das pernas dela. Não fui tão rápido como pensava, fui atropelado por um combóio de mercadorias, só parei de rebolar nas Paúlas, cerca de um quilómetro depois, a dois passos da Ponte Velha.

Sacudi as parganas, fiquei pronto para outra.

Mas um enigma perdurou no tempo: Até hoje nunca cheguei a descobrir se o que eu vi eram as cuecas pretas da Arminda.

 

Os cestos da minha terra

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Como facilmente se reconhece, estes cestos usados na minha região não

eram feitos de vime entrançado, mas sim em madeira de salgueiro branco

que tem o particular de se deixar transformar em tiras de mais ou menos

um ou dois metros de comprido, dois ou três centímetros de largura, um

ou dois milímetros de espessura.

O cesto da minha terra tinha o formato do exemplar em cima, à squerda,

com o dobro da largura em relação à altura

Basicamente existiam cestos com três tamanhos: O normal, grande, com

a capacidade de um alqueire, cerca de 20 litros, um médio, metade deste

volume, e um mais pequeno, de dois litros, para as crianças aprenderem como se faziam as coisas e custava o trabalho.

Embora também por vezes se lhe chamasse canastra, a canastra era no

entanto, mais pequena, oval, achatada e usada pelas vareiras da região

marítima Oeste, Aveiro, Ovar, etc., ou varinas, em Lisboa.

O exemplar em cima, à direita, era uma cesta: Mais funda, redonda, mais larga, com um metro de diâmetro.

"Ajoujada", na minha terra, na altura, tinha o sentido de carregada.

Dizia-se que uma mulher ia "ajoujada" quando carregava uma cesta destas

à cabeça cheia de produtos da terra, com alfaias, sabe-se lá que mais, que

mesmo com as mãos na cintura, até os filhos levava lá dentro.

Aliás era perfeitamente normal as mulheres da altura não precisasarem

das mãos para nada para segurarem à cabeça uma cesta de espigas de

milho ou um cântaro de almude cheio de água.

(Continua)

 

Pulhas, ancestral tradição

Com a devida vénia… (Extraído do SITE)

Junta de Dreguesia de Pampilhosa da Serra

As pulhas ou deitar as pulhas era um divertimento carnavalesco.

Nesta quadra, durante a noite, um reduzido número de rapazes/homens dirigia-se para o morro alto dos arredores da sua povoação e daí gritavam graças (em frases ou mais usualmente em verso) alusivas a factos relacionados com as pessoas da comunidade. Quando as condições geográficas o permitiam, através da existência de mais morros no perímetro da povoação, chagava-se mesmo a estabelecer diálogo previamente combinado entre grupos situados em morros diferentes.

Nas pulhas revelavam-se muitos namoros, até infidelidades encobertas, quantas vezes levantando-se calúnias. Muitas situações difíceis, com pessoas atingidas ou familiares a perseguirem os deitadores das pulhas, foram dos aspectos mais delicados e comprometedores a contribuir para que a tradição acabasse, embora num passado ainda muito recente fosse realidade na Pampilhosa.

O reduzido número de participantes tinha por objectivo, por um lado, a manutenção do segredo do anonimato, anos fora, consoante a gravidade das acusações pulhadas, por outro, para permitir uma mais fácil fuga, em caso de pressentimento de tentativa de esforço. Neste caso, chegavam a dividir-se, indo cada um para o seu lado, reunindo-se posteriormente em local previamente combinado.

As pulhas tinham também os seus apetrechos próprios: um funil de cone bastante largo e com bocal na extremidade do tubo, para o que deitava as pulhas.Outro elemento levava um bacamarte já que durante as pulhas mandava uns fogachos para intimidar os possíveis ousados perseguidores.

Entre o arrazoado das pulhas, de vez em quando gritava: - Companheiro da esquerda, fogo! – e saía fogo. Depois mandava o companheiro da direita de onde saía fogo. Quase sempre era o mesmo, mas quem ouvia ficava sempre na dúvida se seriam só dois ou três ou até mais.

Até porque este grupo poderia ter outros elementos afastados, de segurança, em local estratégico que prescutaria o início da perseguição avisando com sinal próprio os seus companheiros das pulhas.

O deitador de pulhas, embora o funil já distorcesse a voz, ainda mais a disfarçava, mesmo na pronúncia a fim de não ser reconhecido. O morro mais usual donde eram deitadas as pulhas era os Outeiros (Oiteiros); também algumas vezes no Areal – Gândara estabelecendo-se o tal diálogo.

NOTA PESSOAL À MARGEM

Na minha terra, concelho de Vila Nova de Poiares, nos limites com o concelho da Lousã, a tradição das PULHAS foi proibida e acabou nas proximidades do final da Segunda Grande Guerra.

Aniceto Carvalho