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Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

Réstias do Tempo - BEYOND

Por mais que repetida, dure o tempo que durar, meio século ou milénios, a mentira é sempre repugnante, vesga, coxa e de perna curta.

SOU DO TEMPO

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SOU DO TEMPO…
O passado não faz mal nenhum a ninguém… Pelo contrário:, o passado ensina-nos a náo repetir as mesmas asneiras. O presente sim: A vilitipendiar o passado para esconder a mediocridade é que o presente pode arrasar o futuro.

Sou do tempo em que as crianças começavam a aprender o que era a vida com os primeiros passos, a trepar às árvores, aos ninhos, aos grilos, a saltar muros e valados, a executar pequenas tarefas caseiras, a saber que o trabalho faz parte da vida.

Sou do tempo em que se ia para a escola aos sete anos com uma sacola de pano a tiracolo com dois livritos e uma ardósia lá dentro que tinham sido de um irmão mais velho ou de uma tia quinze anos antes.

Sou do tempo em que a Quarta Classe era a sério, quando se sabia na ponta da língua a tabuada, as serras, os rios e os caminhos de ferro portugueses, se faziam contas de multiplicar e dividir com quatro algarismos, de quando seis anos de trabalho depois se entrava na Aeronáutica Militar para um curso de mecânico de avião – matemática, física, aerodinâmica, etc. - e não se fazia má figura.

Sou do tempo em que as crianças ainda de cueiros não eram encaixotadas dentro de quatro paredes com grades durante anos a fio sem um carinho dos pais nem saber a diferença entre uma couve flor e uma galinha.

Sou do tempo em que a minha professora da Instrução Primária ministrava uma sala mista de quarenta alunos da Primeira à Quarta Classe, dava aulas de religião e moral aos sábados – o que hoje fazia muito jeito a muita gente –, ensiva trabalhos manuais, punha tods s gente a fazer ginástica, organizava jogos durante o recreio -, num largo na aldeia -, nos levava a pic nics nas ínsuas do Ceira, a ver filmes históricos, nos dava duas horas de aulas extras por dia em casa dela a dois meses dos exames.

Vale de Vaz, Vila Nova de Poiares, no dealbar dos anos 40 do Século XX.

Tenham sido muitas ou poucas as lavagens ao cérebro, dêm-lhes as voltas que quiserem, tudo isto é rigorosamente verdade.

Outros tempos. A professora do Secundário recomendou à aluna do último ano um livro do Eça de Queiroz. Podía ter-lhe recomendsdo “A Cidade e as Serras”, ”A Ilustre Casa de Ramires, “Os Maias”, etc... Mas não. A ilustre professora do Ensino Secondário recomendou a uma miúda de 18 anos “O Primo Basílio”, o livro mais pronogrático do brilhante escritor português.
Desculpa-se: Talvez a didtinta professora só tenha lido “O Primo Basílio” em toda a sua carreira académica, por certo de capa e batin a brilhar de autocolantes.
Aniceto Carvalho

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